Capítulo 2
- Na verdade, não.
Nesse momento algo me surpreendeu, Johnny me olha carinhosamente e
sorriu gentilmente, nunca pensei que ele tivesse esse lado meigo, aquele
sorriso fazia com que eu me sentisse calma e tímida só de olhar para o seu
rosto, ao invés de um animal feroz parecia um gatinho ingênuo. Assim passamos a
conviver juntos na escola, eu como sua única amiga.
Dias se passaram, e descobri o quanto maravilhoso ele é, recentemente
se abria cada vez mais para mim, mas de repente começou a dizer coisas que me
davam a ideia errada, como se gostasse dos momentos em que ficávamos juntos,
com sua doce voz ele fazia meu coração bater mais forte, no momento que eu me
dei conta que ele apenas sorria especialmente para mim, em momentos únicos
enquanto estávamos sozinhos, foi quando me apaixonei.
Certo dia em um sábado enquanto eu estava em casa junto com minha mãe,
deitei no sofá para descansar e quando fechei os olhos escutei uma voz
ofegante:
- Não me siga.
Diferente das outras vezes, eu senti que já tinha ouvido aquela voz e
consegui ver uma cena de alguém correndo como se estivesse sendo perseguido, o
lugar me era familiar, parecia com um bosque que ficava perto de minha casa. Eu
não pensei duas vezes e sai correndo, sentia que estava mais perto de descobrir
quem realmente sou.
Estava escurecendo e quanto mais eu me aventurava pelas árvores,
sentia um aperto no meu coração como se algo estivesse próximo. Fiquei cansada
e encostei minhas costas em uma grande árvore, mas de repente senti como se eu
fosse engolida pela árvore, era assustador, estava me puxando para dentro e
quando me dei conta já havia desmaiado.
Não sei se demorei para voltar a consciência, mas quando abri os olhos
estava caída no chão, a primeira coisa que vi foi Johnny, inconsciente, caído
junto comigo. Minha visão estava embaçada, me levantei e olhei em volta, não
estávamos mais no bosque, nem sei se estávamos mais no mesmo mundo, na verdade
parecia o mesmo lugar, mas de modo distorcido, as árvores ficaram secas, o céu
era vermelho, e estava muito quente, havia fogo por toda parte, estava
apavorada, foi neste momento que virei e vi Johnny em pé na minha frente, a
aparência dele não era a mesma, tentei correr, mas ele rapidamente me segurou
pelo braço e pediu para não ter medo.
Ficamos um bom tempo calados até eu conseguir me acalmar, aquele
Johnny que conheci não era o mesmo, ele tinha presas, garras, orelhas de elfo,
calda e carregava uma espécie de espada nas costas. Um monstro? Mesmo assim, eu
não tinha medo, ele continuava sendo a mesma pessoa que conheci e me apaixonei.
Johnny reparou que eu estava querendo saber o que acontecia e antes de
perguntar, ele teve a iniciativa e começou a me explicar:
- Acabei trazendo você comigo, não devia ter feito isso, bom, não sei
por onde devo começar, acho que primeiro vou te explicar o que aconteceu, eu
estava sendo perseguido pelo meu irmão, na verdade estava fugindo dele, ele não
gosta que eu fique aqui. O lugar que você vê é outro mundo, talvez possa ser o
mesmo que a Terra em alguns aspectos, mas aqui há todo o mal que existe no
planeta Terra, antigamente ficavam os maus humanos que por suas maldades
acabaram vindo para este mundo, eu o chamo de Mundo dos Demônios, porque com
passar do tempo existem pessoas como eu. Como você está vendo, eu sou um
demônio, mas não se preocupe... não vou te fazer mal. Agora vou explicar sobre
mim, minha mãe já morreu, ela era uma humana, e meu pai... deve estar em algum
lugar deste mundo, ele é um demônio. Sorte do meu irmão, ele é humano, diferente
de mim que sou humano e ao mesmo tempo demônio, apenas eu consigo vir para esse
mundo, existem portais em vários lugares da Terra, assim posso procurar pelo
meu pai. Estou falando muito rápido, deve ser muita coisa para você pensar,
talvez o que eu menos queria aconteça, que é você se afastar de mim, a ponto de
nunca mais te ver.
- Eu nunca me afastaria de você! – gritei com um olhar triste.
- Mas, você corre perigo!
- Sei que nunca deixaria que alguém me machucasse! Apesar de tudo,
você é a pessoa que eu amo – falei com os olhos lacrimejando.
Senti que iria perdê-lo, e acabei agindo por impulso, não me lembro da
reação dele e se falou alguma coisa depois da minha confissão. Se eu fosse uma
pessoa normal já teria enlouquecido, mas sou diferente, tenho algo anormal
também, aquele lugar me assustava, era muita coisa, não conseguia pensar, e as
vozes ficaram mais fortes em minha mente. Tapei os ouvidos e ajoelhei no chão,
nada adiantava, Johnny me pegou em seus braços e voltamos ao bosque, estava
cansada, era noite, isso é o que eu me lembrava, porque quando me dei conta já
era outro dia e eu estava na minha cama, olhei para fora, estava amanhecendo.
Queria me encontrar com Johnny rapidamente, meu amor era proibido,
queria saber mais sobre ele e talvez ele soubesse o que está havendo comigo,
estava animada e ao mesmo tempo confusa, será que algum dia seria
correspondida? Ele vai aceitar o meu coração?
Saí de casa e fui direto para a escola. No meio do caminho eu via
demônios que conversavam com pessoas normais. O que está acontecendo? Porque as
pessoas não ficam assustadas? Elas não estão vendo? Não entendo! Porque estou
vendo isso? Parece que meu problema paranormal está piorando. Enquanto pensava
nisso, eu avisto Johnny, ele estava com aquela aparência, aquilo não dava medo,
ao contrário, eu me sentia aliviada por tê-lo achado naquele momento de
desespero.
Rapidamente corri até ele...
Continua...
