segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Mundos Paralelos, Capítulo 2


Capítulo 2


- Na verdade, não.
Nesse momento algo me surpreendeu, Johnny me olha carinhosamente e sorriu gentilmente, nunca pensei que ele tivesse esse lado meigo, aquele sorriso fazia com que eu me sentisse calma e tímida só de olhar para o seu rosto, ao invés de um animal feroz parecia um gatinho ingênuo. Assim passamos a conviver juntos na escola, eu como sua única amiga.
Dias se passaram, e descobri o quanto maravilhoso ele é, recentemente se abria cada vez mais para mim, mas de repente começou a dizer coisas que me davam a ideia errada, como se gostasse dos momentos em que ficávamos juntos, com sua doce voz ele fazia meu coração bater mais forte, no momento que eu me dei conta que ele apenas sorria especialmente para mim, em momentos únicos enquanto estávamos sozinhos, foi quando me apaixonei.
Certo dia em um sábado enquanto eu estava em casa junto com minha mãe, deitei no sofá para descansar e quando fechei os olhos escutei uma voz ofegante:
- Não me siga.
Diferente das outras vezes, eu senti que já tinha ouvido aquela voz e consegui ver uma cena de alguém correndo como se estivesse sendo perseguido, o lugar me era familiar, parecia com um bosque que ficava perto de minha casa. Eu não pensei duas vezes e sai correndo, sentia que estava mais perto de descobrir quem realmente sou.
Estava escurecendo e quanto mais eu me aventurava pelas árvores, sentia um aperto no meu coração como se algo estivesse próximo. Fiquei cansada e encostei minhas costas em uma grande árvore, mas de repente senti como se eu fosse engolida pela árvore, era assustador, estava me puxando para dentro e quando me dei conta já havia desmaiado.
Não sei se demorei para voltar a consciência, mas quando abri os olhos estava caída no chão, a primeira coisa que vi foi Johnny, inconsciente, caído junto comigo. Minha visão estava embaçada, me levantei e olhei em volta, não estávamos mais no bosque, nem sei se estávamos mais no mesmo mundo, na verdade parecia o mesmo lugar, mas de modo distorcido, as árvores ficaram secas, o céu era vermelho, e estava muito quente, havia fogo por toda parte, estava apavorada, foi neste momento que virei e vi Johnny em pé na minha frente, a aparência dele não era a mesma, tentei correr, mas ele rapidamente me segurou pelo braço e pediu para não ter medo.
Ficamos um bom tempo calados até eu conseguir me acalmar, aquele Johnny que conheci não era o mesmo, ele tinha presas, garras, orelhas de elfo, calda e carregava uma espécie de espada nas costas. Um monstro? Mesmo assim, eu não tinha medo, ele continuava sendo a mesma pessoa que conheci e me apaixonei. Johnny reparou que eu estava querendo saber o que acontecia e antes de perguntar, ele teve a iniciativa e começou a me explicar:
- Acabei trazendo você comigo, não devia ter feito isso, bom, não sei por onde devo começar, acho que primeiro vou te explicar o que aconteceu, eu estava sendo perseguido pelo meu irmão, na verdade estava fugindo dele, ele não gosta que eu fique aqui. O lugar que você vê é outro mundo, talvez possa ser o mesmo que a Terra em alguns aspectos, mas aqui há todo o mal que existe no planeta Terra, antigamente ficavam os maus humanos que por suas maldades acabaram vindo para este mundo, eu o chamo de Mundo dos Demônios, porque com passar do tempo existem pessoas como eu. Como você está vendo, eu sou um demônio, mas não se preocupe... não vou te fazer mal. Agora vou explicar sobre mim, minha mãe já morreu, ela era uma humana, e meu pai... deve estar em algum lugar deste mundo, ele é um demônio. Sorte do meu irmão, ele é humano, diferente de mim que sou humano e ao mesmo tempo demônio, apenas eu consigo vir para esse mundo, existem portais em vários lugares da Terra, assim posso procurar pelo meu pai. Estou falando muito rápido, deve ser muita coisa para você pensar, talvez o que eu menos queria aconteça, que é você se afastar de mim, a ponto de nunca mais te ver.
- Eu nunca me afastaria de você! – gritei com um olhar triste.
- Mas, você corre perigo!
- Sei que nunca deixaria que alguém me machucasse! Apesar de tudo, você é a pessoa que eu amo – falei com os olhos lacrimejando.
Senti que iria perdê-lo, e acabei agindo por impulso, não me lembro da reação dele e se falou alguma coisa depois da minha confissão. Se eu fosse uma pessoa normal já teria enlouquecido, mas sou diferente, tenho algo anormal também, aquele lugar me assustava, era muita coisa, não conseguia pensar, e as vozes ficaram mais fortes em minha mente. Tapei os ouvidos e ajoelhei no chão, nada adiantava, Johnny me pegou em seus braços e voltamos ao bosque, estava cansada, era noite, isso é o que eu me lembrava, porque quando me dei conta já era outro dia e eu estava na minha cama, olhei para fora, estava amanhecendo.
Queria me encontrar com Johnny rapidamente, meu amor era proibido, queria saber mais sobre ele e talvez ele soubesse o que está havendo comigo, estava animada e ao mesmo tempo confusa, será que algum dia seria correspondida? Ele vai aceitar o meu coração?
Saí de casa e fui direto para a escola. No meio do caminho eu via demônios que conversavam com pessoas normais. O que está acontecendo? Porque as pessoas não ficam assustadas? Elas não estão vendo? Não entendo! Porque estou vendo isso? Parece que meu problema paranormal está piorando. Enquanto pensava nisso, eu avisto Johnny, ele estava com aquela aparência, aquilo não dava medo, ao contrário, eu me sentia aliviada por tê-lo achado naquele momento de desespero.

Rapidamente corri até ele...

Continua...